Érika Machado, dia 06/11, no show de lançamento do Bem me Quer Mal me Quer, no Sesc Pompéia, em São Paulo
Érika Machado (@erika_machado). Talvez você não tenha ouvido falar nesta mineira de BH, que tem orgulho de morar lá e adora escrever internete com “e” no final, para aportuguesar, afinal, a língua portuguesa, as palavras, o sentido, são seus instrumentos mais importantes. Se você não conhece, a palavra é “ainda”. Porque ela acaba de lançar o seu segundo CD, Bem Me Quer Mal Me Quer e promete se revelar para cada vez mais pessoas de bom gosto com sua música pop, sua voz suave e arranjos inusitados.
Érika surgiu na cena musical com o delicioso “No Cimento” (2006), produzido por John Ulhoa (http://twitter.com/johnulhoa), do Pato Fu, que também produz, agora, o seu mais recente trabalho. Ela conta que, na época, o CD foi gravado com base em programação, sem baterista e baixista. Agora, ela já conta com uma banda com a qual se identifica e muito. Érika é artista plástica de formação que descobriu o amor pela música e que gosta de cantar. E, com isso, ganhamos nós, que podemos apreciar sua música deliciosa. Alguém se lembra de “Secador, Maçã e Lente”, do primeiro CD?
Conheça um pouco mais sobre Érika nesta entrevista exclusiva, que ela deu para o Diversas Ideias em meio à correria de lançamento do seu CD. Que bom! Parabéns Érika, você merece!
1. Nome completo e nome artístico. Cidade onde nasceu e onde escolheu para viver?
Érika Machado Hermeto, nasci em Belo Horizonte e moro aqui até hoje e acho muito bom =).
2. Acompanhei a evolução de sua carreira desde o primeiro álbum “No Cimento”, que me marcou muito com a docilidade de sua voz, jeito tranquilo de cantar e arranjos e letras inusitados. Agora, recebi com surpresa a notícia do lançamento do segundo disco “Bem me Quer Mal me Quer”, lançado neste fim de semana no SESC Pompéia. Queria muito ter estado lá, mas não pude. Li que o CD atual tem uma pegada um pouco mais romântica, é isso mesmo? Aliás, quais as diferenças e semelhanças principais entre os dois álbuns?
Érika Machado - “No Cimento” é um CD mais solitário, assino a maioria das faixas sozinha, e praticamente gravei todas as vozes e violões do disco, o John gravou e programou a maioria dos instrumentos e o Daniel Saavedra gravou uns baixos, teclados, guitarras, cavaco, programou umas coisas também, mas era um disco feito sem baterista, sem baixista, com muitas coisas programadas. Quando gravamos eu ainda não tinha uma banda, fizemos e depois arrumamos um jeito de colocar em cima do palco. Agora, gravando “Bem Me Quer Mal Me Quer” o processo foi um pouco diferente, além de fã, eu já era amiga do John, e a gente já sabia como era trabalhar junto.
Acho que a maior diferença entre este disco e o outro é que Bem Me Quer é mais orgânico, no sentido de ter muitas coisas gravadas, já que agora tenho uma banda e me identifico muito com ela. Tem uma coisa mais coletiva neste disco, só assino uma música sozinha (Rosa), a maioria fiz com a Cecília Silveira, (que no show toca uns violões, faz uns vocais, toca pianim e cavaquim) e com o John. As letras foram escritas num momento que eu acabava de sair de um relacionamento longo, e de perder um grande amigo (meu avô) e acho que isso fica “marcado” no disco.
3. Como é o seu processo criativo? Compõe já pensando em um conceito para os discos ou faz as músicas e pensa depois na “cara” do trabalho?
EM - Componho pensando na minha vida, nas coisas que eu posso observar no espaço no tempo que eu ocupo e acho que esse é o assunto principal do meu trabalho.
4. Falando especialmente deste segundo álbum, gostaria de saber como escolheu o repertório. E o que a motivou a convidar o John, do Pato Fu para dirigir o seu trabalho. A Fernanda Takai é sua amiga? Que influência ela tem em seu trabalho?
EM - O John é o cara mais criativo que eu já conheci, e além disso ele é muito cuidadoso e legal, foi tão bom pra mim trabalhar com ele que não pensei em chamar outra pessoa pra produzir o meu segundo disco. O repertório foi escolhido a partir das músicas que eu tinha, basicamente escolhi as mais bonitas, e teve também Plutônio Enriquecido que é uma música inédita do John. Um dia ele disse tenho uma música aqui pra você, eu adorei! E assim ela entrou no CD. Sempre fui muito fã do Pato Fu, e a Fernanda é a moça mais legal do mundo! Ela sem dúvida é referência para o meu trabalho, assim como o John. Quando eu crescer eu quero ser igual a eles!
5. Que tipo de público você quer atingir? Como você classifica o tipo de música que produz?
EM - Quero atingir todo tipo de público, falo das coisas cotidianas, das coisas da vida… uso uma linguagem simples, a que uso no dia a dia.
6. Como você decidiu que queria ser cantora e compositora e como foi o início de sua carreira? Já passou pela sua cabeça fazer algo diferente na vida?
EM - Apesar de adorar inventar as minhas músicas e cantar elas acompanhada por meu violão, não foi bem uma decisão, as coisas foram acontecendo. Eu me formei em Artes Plásticas pela Escola Guignard (Universidade do Estado de Minas Gerais) e pensava na linguagem visual, até que um dia gravei um CD no meu quartinho e adorei o novo suporte, tinha a impressão que ele tinha maior alcance, e as pessoas estavam gostando muito de me ouvir cantar as minhas músicas. Ainda não me decidi ser assim uma cantora, mas eu adoro cantar, e estão pintando ótimas oportunidades de alegria dentro deste campo de trabalho…
7. O seu site, assim como ilustrações e design dos encartes do seus CDs são muito lúdicos, coloridos, fofos. Quem produziu esse trabalho e o quanto há de você, sua personalidade, nele.
EM - No início da minha “vida artística” eu usava a linguagem visual, me formei em artes plasticas e aí eu mesma faço os desenhos e as artes dos meus discos, sites, Flyers… faço este tipo de trabalho também para outros artistas, recentemente fiz com a Cecília a arte do CD da Zeropéia, que está saindo pela Biscoito Fino…
8. Em tempos de troca de arquivos pela Internet, como você acha que vai ser o futuro do CD? Como o artista pode ser remunerado quando todo mundo copia gratuitamente suas músicas? Acha isso bom ou ruim?
EM - O tempo vai passando e tudo vai mudando e a gente tem que saber aproveitar o que tem. Não sei prever o destino do CD, do futuro eu realmente não sei. Tem gente que gosta de colecionar coisas (eu por exemplo), e essas pessoas vão sempre comprar CD. Digo isso por mim, que pega a maioria das coisas que escuta na internete, mas que quando gosta muito compra o CD, inclusive para dar de presente. Ah! Já comprei CD só pela capa também. Existe uma teoria que diz que tudo tem um lado bom e um ruim, a internete da acesso e dispersa também, mas aí, se analisarmos o mercado a partir desta ferramenta, estaremos pensando só nas pessoas que usam computador, que não acredito que seja a maioria da população do nosso país.
Na internete qualquer distância é a mesma, mas eu faço música em português, e quero que ela faça sentido pra quem fala esta língua, porque o texto é parte muito importante da minha música. E aí eu vou ter que lembrar do povo, da população que pode e deve ter acesso à minha música, mas também não vai comprar o meu CD a 10 reais, porque ela compra um por 2 na pirataria. E aí já começa uma outra discussão que é melhor nem entrar em detalhes, porque já é tarde da noite e esse papo dá pano pra manga e tudo o que eu posso dizer é que eu ia achar massa se os camelôs decidissem divulgar o meu trabalho…
9. Qual a importância que você dá às mídias sociais como MySpace, Facebook, Orkut, Twitter na divulgação de seu trabalho? Ser artista em um momento WEB 2.0 é diferente?
EM - Tem muito pouco tempo que trabalho dentro do esquema do mercado fonográfico, e não sei como era antes, mas acho que a internete tem sido uma forma barata e ecológica de divulgar as músicas, os shows e as novidades…
(Acesse o site da Érika, aqui, e ouça as músicas do dois CDs. Além disso, confira o talento da moça, que fez todas as ilustrações. O site é muito fofo!)
10. Gostaria de saber um pouco de suas influências musicais. Quem te inspirou ou inspira? Que som está ouvindo no momento?
EM - Gosto de muitos artistas, posso enumerar alguns aqui: Arnaldo Antunes, Pato Fu, Maurício Pereira, Rita Lee, João Gilberto, Marisa Monte, Kid Abelha, Los Hermanos, Adriana Calcanhoto, Novos Baianos, Nando Reis, Fabio Góes…
Atualmente, quero dizer nos últimos 5 dias, estou escutando Kings Of Convenience – Declaration of Dependence – 2009 e eu não me canso de escutar esse trabalho desses caras, tem uma música muito legal que se chama “Boat Behind” nota 10!
11. Na sua opinião, qual o melhor momento da sua carreira? Qual o CD que mais gosta e por que? Pretende registrar seu show em DVD?
EM - O melhor momento é sempre agora! E sempre acho que tudo vai melhorar! Cada CD tem sua história, não posso dizer que gosto mais de BEM ME QUER MAL ME QUER porque NO CIMENTO me deu tantas alegrias!!!!!
12. O que você espera de sua carreira neste momento e nos próximos cinco anos? Qual o seu grande sonho?
EM - Espero conseguir mostrar em muitos lugares para muitas pessoas este trabalho que eu fiz com tanto cuidado e carinho. Também espero que alguma coisa muito boa aconteça. Adoraria fazer um DVD em breve, e saúde e alegria é o que eu desejo para os próximos 5 anos.
13. E sua vida pessoal, você fala sobre ela ou acha que isso não cabe ao público saber?
De certa forma eu falo dela no meu trabalho, mas falo só do que me interessa dizer, e eu acho que minha vida só interessa a mim. É tão difícil cuidar da vida da gente, quem dirá da dos outros.
14. O que você pensa sobre a situação sócio-econômica da população brasileira e do fato de sermos umas das economias mais ricas do mundo e termos a segunda pior distribuição de renda do planeta? Como o Brasil pode mudar isso?
EM - Gostaria de saber como ou que alguém soubesse como mudar isso… Se cada um fizer a sua parte, acho que já melhora muito tudo.
15. O que você pensa sobre as conquistas femininas que levaram às mulheres ao mercado de trabalho disputando em pé de igualdade um lugar ao sol com os homens? Há igualdade ou ainda falta?
EM - Minha mãe sempre trabalhou, e em várias fases da vida ela foi financeiramente mais bem sucedida do que meu pai. Daqui de onde estou, percebo a desigualdade menos entre as cores, sexos e opções sexuais do que entre as classes sociais.
Bem me quer…
- um filme: Os Idiotas – Lars Von Trier
- uma música: Trovoa – Mauricio Pereira
- um livro: A Camara Clara – Barthes
- um poema: Batatinha quando nasce é o único que me veio à cabeça
- uma intérprete nacional: Cassia Eller
- um som internacional: Cake
- um show: Marisa Monte
- um amor: Meu trabalho
- São Paulo: A cidade menos entediada. A mais cheia de trabalho e coisas interessantes para se fazer.
- Rio de Janeiro: A cidade mais bonita.
- Minas Gerais: minha casa e as montanhas.
- família: É o que me cola aqui em Belo Horizonte.
- amigos: A melhor coisa do mundo!
- adoção de crianças: Muito legal, se algum dia eu tiver uma graninha quero criar uma criança
- adoção por casais gays: qual é a diferença?
- casamento homossexual: uma entre as duas opções: casamento homosexual ou casamento heterosexual
- tempo livre: Raridade
- romantismo: Coisa antiga
- irrita muito: Coçeira
- moda: Ronaldo Fraga
- provocação: ai!
:: Veja fotos da Érika, na página dela no Flickr, aqui.
::: Fotos, divulgação.








