Ela acaba de ganhar o VMB 2009 na categoria MPB! Pertence a uma das melhores bandas nacionais. Lançou carreira solo e foi aclamada pela crítica e pelo público. Além de tudo isso, Fernanda Barbosa Takai, como eu já suspeitava, revela-se simplesmente simpática e atenciosa.
Concedeu ao Diversas Ideias a entrevista exclusiva que você degustará com os olhos, a seguir, na qual solta o verbo sobre o início da carreira, influências musicais, WEB 2.0, política e comportamento. Tudo, postado aqui sem nenhuma edição… Como se fosse uma conversa ao vivo, só que foi por email. Claro que esse papo não poderia terminar com um ponto final. Nas palavras de Fernanda, “para que fechar, melhor deixar sempre aberta!” Delicie-se!
1. Nome completo e nome artístico.
Fernanda Barbosa Takai – Fernanda Takai
2. Acompanhei toda a evolução da Banda Pato Fu. Depois, adorei você ter lançado carreira solo, regravando Nara Leão. Gostaria de saber o motivo pelo qual decidiu partir para a carreira solo e se é difícil conciliá-la com o trabalho junto ao Pato Fu.
Eu só pensava em lançar disco solo quando o Pato Fu não existisse mais.Não sentia necessidade. Foi a ideia do Nelson Motta que despertou isso tudo. E ele estava mais do que certo: um monte de gente ainda não me conhecia direito apenas pelo lado autoral. Conciliar as duas carreiras dá muito trabalho, mas é muito bom ter reconhecimento dos dois lados. E o Pato Fu continua, aos 17 anos…
3. Como você classifica o som da banda Pato Fu e o seu som solo?
O Pato Fu é uma banda pop, às vezes mais rock, com muita diversidade estética. A minha carreira solo é pop com músicas e arranjos mais suaves do que os da banda. Uma carreira de intérprete que mistura bem MPB com grandes clássicos internacionais.
4. Você é apenas intérprete ou também compõe? Como escolhe seu repertório musical? Tem uma equipe que te ajuda? Fale um pouco sobre seu processo criativo.
Componho também. Nos discos do Pato Fu há várias canções minhas. Geralmente meu parceiro de composições é o John. Trabalhamos sozinhos quando estamos criando e só depois mostramos um pro outro o que temos feito pra arrematar. Eu costumo fazer mais as melodias e harmonias e ele a letra. Mas faço de tudo um pouquinho. A escolha de repertório em banda é democrática, todo mundo opina. No meu show solo são escolhas só minhas mesmo.![]()
5. Como você decidiu que queria ser cantora e como foi o início de sua carreira?
Nunca pensei que fosse viver profissionalmente de música. Sempre gostei dela, como um hobby e como ouvinte mesmo. Tive banda em colégio, mas o Pato Fu foi a primeira banda que tive que gravou disco… foi tudo muito gradual. Sou formada em Relações Públicas, trabalhava em agência e aos poucos a música foi ocupando mais e mais espaço na minha vida.
6. Antes de assumir a si mesma que seria cantora, o que já passou pela sua cabeça em fazer da vida?
Eu entrei na UFMG pra fazer jornalismo, queria trabalhar em telejornal. Daí fiz umas matérias de RP e gostei muito da Comunicação Corporativa, de Planejamento. Sou muito organizada e disciplinada, por isso mudei no meio do curso.
7. O seu primeiro CD solo (Onde Brilhem os Olhos Seus) foi sucesso de público e crítica. O primeiro DVD (Luz Negra) também está sendo muito bem comentado. Qual é o segredo do seu sucesso? O que você julga o diferencial do seu trabalho?
Eu tenho muita gente competente trabalhando comigo e eu cobro muita eficiência e dedicação. Isso se reflete nos lançamentos. Todos os detalhes são bem cuidados: capa, cenário, figurino, arranjos, clipes, luz, som… A equipe do DVD então… eles fizeram um registro de show histórico. Eu tinha todas as referências na cabeça de como deveria ser e eles realizaram tudo com maestria. Meus músicos também têm, ao mesmo tempo, sofisticação, muita personalidade, sem serem chatos. Acho que todo mundo vê como eu me desdobro pra fazer tudo bem então se empenham pra me ajudar!
8. Em tempos de troca de arquivos pela Internet, como você acha que vai ser o futuro do CD? Como o artista pode ser remunerado quando todo mundo copia gratuitamente suas músicas? Acha isso bom ou ruim?
Gosto de pensar na música compartilhada como algo bom. É quase mágico lançar um disco simultâneamente aqui e no Japão. Eu ainda faço shows, tenho essa moeda pra fazer receita com minha atividade artística, mas tem gente que só compõe, não toca. Então seria bacana se a música fosse de graça pro ouvinte, mas alguém pagasse essa conta. Esses novos tempos tem acontecido cada vez mais rápido, não estamos conseguindo dar conta disso… Pra um disco meu sair, existem gastos, tenho uma gravadora, uma equipe… por isso quem compra discos originais sempre nos ajuda nesse sentido.
9. Qual a importância que você dá às mídias sociais como MySpace, Facebook, Orkut, Twitter na divulgação de seu trabalho? Ser artista em um momento WEB 2.0 é diferente?
Eu sou do tempo das primeiras páginas oficiais de artistas na internet. O Pato Fu sempre teve site e sempre foi bem cuidado e quente em relação ao conteúdo. Eu cuido pessoalmente da minha página (www.fernandatakai.com.br) mas sinceramente não vejo necessidade de outras ferramentas. Ali eu já coloco o que é relevante pra quem acompanha minha carreira e tenho espaço pra tudo. Também respondo a TODAS as perguntas do site do Pato Fu e cuido da correspondência da vida real, entrevistas etc… ou seja, já dedico um tempão ao mundo virtual.
10. Gostaria de saber um pouco de suas influências musicais. Quem te inspirou ou inspira? Que som está ouvindo no momento?
Gosto mais de vozes femininas, cantoras suaves. Minha musa-mor é a Suzanne Vega. Escuto muita coisa do mundo inteiro, só pra citar algumas de países diferentes: Maki Nomiya (Japão), Manuela Azevedo (Portugal), Andrea Echeverri (Colômbia), Emiliana Torrini (Islândia), Alison Goldfrapp (UK), Julieta Venegas (Mexico), Céu (Brasil)…
11. Na sua opinião, qual o melhor momento da carreira do Pato Fu? Qual o CD que mais gosta e por que?
Tenho gostado cada vez mais do Ruído Rosa de 2001. Acredito que ele tenha encontrado bem o equilíbrio entre um som mais forte e outro mais delicado. Mas sem dúvida, os três últimos álbuns me representam melhor individualmente porque são mais tranquilos.
12. O que você espera de sua carreira neste momento e nos próximos cinco anos? Qual o seu grande sonho?
Talvez o segredo seja não esperar coisas demais. A expectativa muito grande gera desapontamento. O que faço é tentar gostar demais de todas as etapas e se vem o reconhecimento é maravilhoso! É bom estar feliz a maior parte do tempo e o meu bom-humor cotidiano ajuda nisso. Grande sonho? Quero ter outro bebê em breve. Minha filha já tem 6 anos.
13. E sua vida pessoal, você fala sobre ela ou acha que isso não cabe ao público saber?
Falo de um jeito muito reservado. Minha família é muito importante pra mim. Acho que falo mais de mim nos textos que escrevo pro Estado de Minas e pro Correio Braziliense do que em entrevistas. Tenho uma coluna nos dois jornais há 4 anos e meio.
14. O que você pensa sobre a situação sócio-econômica da população brasileira e do fato de sermos umas das economias mais ricas do mundo e termos a segunda pior distribuição de renda do planeta? Como o Brasil pode mudar isso?
Estou ciente dessa desigualdade e acredito que esse tipo de mudança aconteça aos poucos mesmo porque tem na educação a sua base. Os cidadãos estão percebendo que precisam se colocar além do que pagar impostos, não jogar o seu papel no seu próprio chão. É preciso participar, ser voluntário, se doar. Não só doar dinheiro ou boas intenções. Olhar pro outro e fazer com que haja mais dignidade em todas as nossas relações de trabalho, de amizade, de família.
15. O que você pensa sobre as conquistas femininas que levaram às mulheres ao mercado de trabalho disputando em pé de igualdade um lugar ao sol com os homens? Há igualdade ou ainda falta?
A competência feminina não se discute mais. Mulheres são capazes de desempenhar muito bem funções antes só resguardadas aos homens. Há diferenças de salário injustas – questão de tempo, quero acreditar.
Agora, um Jogo Rápido
- um filme: O Casamento de Muriel
- uma música: Don´t Let The Teardorps Rust Your Shining Heart – EBTG
- um livro: A Via Crucis do Corpo, Clarice Lispector
- uma banda nacional: Blitz
- um som internacional: Pizzicato Five
- um show: Goldfrapp, Londres, 2001
- um amor: Nina
- São Paulo: carreira
- Rio de Janeiro: paisagem
- Minas Gerais: casa
- família: amor incondicional
- amigos: poucos e verdadeiros
- adoção de crianças: amor incondicional
- adoção por casais gays: sim!
- casamento homossexual: sim!
- tempo livre: slow food
- romantismo: às vezes
- irrita muito: atraso
- moda: aprendiz
- provocação: pra quê?
- uma frase para fechar essa conversa: melhor deixar sempre aberta a conversa
fotos:: primeira é o fac-símile do DVD “Luz Negra”, lançado em 2009 / segunda e quarta: retirada do site da Fernanda, créditos para Fabiana Figueiredo e Pierre Devin / terceira: com flash estourado, após ganhar o troféu da MTV Brasil, também do site / última: retirada da net, momento do show, créditos na própria foto
>> entre em contato com a Fernanda Takai, aqui.








1 resposta Até agora ↓
Claudia // Outubro 22, 2009 às 11:04 pm |
adorei a entrevista!