Há 17 anos, São Paulo ganhava um festival de cinema diferente, focado na diversidade sexual humana, o Mix Brasil da Diversidade Sexual. Ele foi o prenúncio de várias mudanças na vida da cidade e na concepção dos seus habitantes, contribuindo para mudanças de comportamento e de visão de pessoas no Brasil todo. Nesse intervalo, surgiram portais na Internet destinados ao público homossexual, a Parada Gay Paulistana tornou-se maior do mundo, o gueto começou a dar sinais de desgaste anunciando uma nova fase na noite, em que a mistura predomina. E também vimos renascer publicações voltadas para os homossexuais como as três revistas (Junior – do grupo Mix Brasil / Dom, que começou na Peixes e foi para a Fractal / e Aimé, do grupo Lopso). A Junior segue firme e forte, bimestral e pode dar origem a filhotes. As outras duas, infelizmente, com a crise, deixaram de ser publicadas.
Para toda essa mudança, se há um responsável por dar o “start”, reunir pessoas dedicadas em torno de objetivos em comum, podemos dizer que foi o carioca, empresário e publisher, André Fischer, que anos atrás, de forma visionária, encabeçou vários desses projetos e continua inovando sempre. A última iniciativa de sucesso foi trazer para o Brasil o Mister Gay, que já está em sua terceira edição, sem contar com os livros publicados e sua carreira como DJ.![]()
André Fischer, que estudou Economia na UFRJ, conta ao Diversas Ideias como tudo começou: “Trabalhei no mercado publicitário e montei a segunda produtora de computação gráfica do país. Em 1993, após abrir uma galeria na produtora, fui convidado para fazer a curadoria de uma programa de curtas para o festival de cinema gay de Nova York. Assim, nasceu o Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual. No ano seguinte, montei a primeira BBS, rede social on line, avó da internet, direcionada ao público GLS”.
Em entrevista exclusiva ao Blog, André fala um pouco sobre a trajetória do mercado editorial gay, sobre os rumos da Parada, a evolução da revista Junior (da qual é editor chefe), o portal Mix Brasil (que sofreu ataque recente de hackers com enorme perda de arquivos e conteúdo), a mudança de comportamento na noite paulistana e sobre ser gay em tempos de web 2.0. Em entrevista curta, mas esclarecedora, André mostra que a integração na sociedade de gays e lésbicas já começou, “mas ainda tem chão”. Confira!
Acompanhei a trajetória do Mix Brasil um pouco depois de sua fundação até hoje. E vibrei a cada novo projeto como o Festival Mix Brasil, a revista Junior e o Mr. Gay Brasil. Tão importante quanto a militância LGBT oficial é a ocupação de espaços nas diversas mídias para mostrar a realidade como ela é e, assim, desmistificar a homossexualidade. Gostaria de saber qual a importância que você atribui a todas essas iniciativas para a diminuição do preconceito contra a população LGBT.
André Fischer - Ainda é muito importante dar visibilidade à comunidade lgbt através de projetos culturais que reforcem nossa identidade, que fujam do binômio sexo-diversão que caracteriza a maioria absoluta dos empreendimentos voltados ao segmento.
Muitos dizem que a Parada Gay foi totalmente descaracterizada, que virou uma festa gay, argumento que muitos usam para falar que não vão mais ao evento. Você concorda com isso? Política e festa não podem caminhar juntas?
AF - O problema não é ela ser uma festa, isso é um dos lados positivos. O problema é ela não ser representativa da comunidade. Não há mais empresas ou grupos gays participando. Isso que está determinando sua perda de relevância. O que é uma lástima, pois é nossa principal vitrine.
Quando a revista Junior foi lançada, muito se falava que era uma Capricho gay. Hoje, a revista traz mais reportagens, mas o cuidado com a estética não foi deixada de lado. Como vc avalia a evolução da Junior, que público ela atinge e onde quer chegar?
AF - Nós fomos entendendo a revista e qual era seu público aos poucos. Sempre fiz questão de frisar que ela era um projeto aberto, um work in progress. Logo depois dela vieram outras, que já fecharam. O principal objetivo nesse momento é ela se manter saudável e manter a presença nas bancas. Mas estamos de olho nos filhotes que ela deve gerar para que o título possa seguir crescendo.
Recentemente, o portal Mix Brasil foi alvo de ataques de hackers e ficou fora do ar por vários dias. Em seu blog você disse que foi uma falha do Datacenter do UOL, que não tinha um plano de contingência. O layout retornou a um passo anterior e, passado um tempo, vários arquivos ainda estão faltando e fotos continuam sem link. Justamente quando o portal completa 15 anos. Gostaria de saber se há um plano de recuperação, se haverá mudanças e voltaremos a ter todos os links funcionando perfeitamente? O que planeja para o Mix Brasil?
AF - Sim. O estrago foi muito grande mesmo. Estamos preparando uma nova versão do site, mudando absolutamente tudo: navegação, seções, lay out. Será um novo MixBrasil. E isso demora (e custa bastante ). A previsão do lançamento é durante o próximo Festival MixBrasil, que rola em SP entre 12 e 22 de novembro.
Quando eu era adolescente, a guetização ainda era uma característica marcante no mundo gay. Isso começou a mudar. Hoje, a tendência é mistura e a prova disso são casas como Vegas, The Edge e Glória, só para ficar em São Paulo. Como vc vê esse novo momento da cultura gay. É o prenúncio de mais liberdade?![]()
AF - Em sociedades mais avançadas que a nossa, onde direitos lgbt já foram conquistados como a Escandinávia, Canadá e partes dos EUA, a cena gay como conhecemos está quase desaparecendo. Gays e lésbicas lá já não precisam mais do gueto para se fortalecerem, e já estão integrados à sociedade . Um dia ainda vamos chegar lá, mas para nós aqui ainda falta chão…
Web 2.0. O que é ser gay em um mundo em que tudo e todos estão interconectados via redes sociais? Como você utiliza as mídias sociais para sua vida pessoal e profissional?
AF - Olha essa é uma questão importante e não sei onde isso vai dar. Uso internet há 15 anos, por isso ainda uso e-mail como minha principal ferramenta de contato com o mundo. Tenho um blog há 7 anos, mas não consigo postar com a freqüência que gostaria.
Decidi optar por algumas redes. Fico conectado praticamente 24h no MSN mas para um rede pequena de pessoas do trabalho, família e alguns amigos mais íntimos. Já fui muito mais ativo no Facebook, ainda entro diariamente, mas a lentidão dele tem me dado uma certa preguiça. Uso bastante o Twitter (@andre_fischer) para me expressar e me informar. Orkut já abandonei desde o ano passado, as outras adoraria mas infelizmente não tenho tempo.
>> André Fischer anunciou pelo Twitter que o aguardado Do Começo ao Fim vai ter premiere mundial na abertura do Festival Mix Brasil, dia 12 de novembro em SP. Aguarde mais informações sobr o festival aqui no Diversas Ideias, em breve.
:: fotos retiradas de vários sites da internet, por isso, não há crédito








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